A História da Escrita

1.Escrita  Pictografia

 

Uma escrita rudimentar essencialmente figurativa, onde os desenhos não representavam sons, nem ideias abstratas, mas puramente o objeto figurado no desenho, os “caracteres eram as próprias imagens do homem e dos animais comuns na época: bisões, ursos, veados lobos, javalis, etc” (idem, ibdem).

Uma escrita rudimentar essencialmente figurativa, onde os desenhos não representavam sons, nem ideias abstratas, mas puramente o objeto figurado no desenho, os “caracteres eram as próprias imagens do homem e dos animais comuns na época: bisões, ursos, veados lobos, javalis, etc” (idem, ibdem).

O homem primitivo serviu-se de diversos meios de comunicação, no entanto, nenhum deles tinha a finalidade de representar a língua oral. Eram totalmente independentes da fala. A manifestação mais elaborada desses processos comunicativos foi a “pictografia”, ou melhor, a “escrita pictográfica”. Consiste em transmitir uma ideia, um conceito ou um objeto através de um desenho (símbolo) figurativo e estilizado.

 A escrita pictográfica foi a base da escrita cuneiforme e dos hieróglifos, origem de todas as formas de escrita e, apesar dos “milênios”, a pictografia continua a ser utilizada, principalmente na sinalização do trânsito e de locais públicos, na infografia e em várias representações do design gráfico; pois são autoexplicativas e universais.

2.Escrita Ideográfica

 

a1-3 - escrita ideográfica

A Escrita Ideográfica, provavelmente, evoluiu a partir de formas da escrita pictográfica (hieróglifos). Consiste num sistema de escrita que se manifesta através de “ideogramas”: símbolo gráfico ou desenho (signos pictóricos) formando caracteres separados e representando objetos, ideias ou palavras completas, associados aos sons com que tais objetos ou ideias são nomeados no respectivo idioma. Por isso, são necessários tantos símbolos quantos os objetos e ideias a exprimir. Os mais antigos vestígios de escrita ideográfica provêm de Sumer (ver escrita cuneiforme), cujo alfabeto dispunha de quase 20.000 ideogramas.

Bom exemplo de escrita ideográfica são os caracteres chineses e japoneses. Os ideogramas são inscritos, separadamente, num quadrado imaginário, dispostos em colunas e lidos de cima para baixo a partir da direita. No início, a escrita traduzia somente ideias (imagens) e não sons.  Entretanto, para traduzir ideias abstratas, cuja transcrição gráfica era impossível, os chineses recorreram aos símbolos (ideogramas) de objetos concretos, correspondente na língua falada, a uma palavra com o mesmo som. Deste modo, introduziram elementos fonéticos na escrita ideográfica. Na forma tradicional, os caracteres eram traçados a pincel. O emprego da pena de escrever deu aos signos um aspecto anguloso.

Na escrita ideográfica, há a necessidade de um vasto número de símbolos, posto que a evolução desse sistema ficou sujeita a modificações e adaptações constantes, pois o número de pensamentos ou ideias que se deseja comunicar é praticamente infinito e tende a  aumentar passo a passo com o desenvolvimento de uma cultura – no período Shang (1766-1122 a.C), havia cerca de 2.500; hoje há aproximadamente 50 mil. A vantagem do ideograma é que pode ser lido independentemente da língua falada. Na China, com uma população falando diferentes dialetos, este recurso mostrou-se de grande valia. Desde que foi desenvolvida, os chineses e japoneses nunca evoluíram para outra forma de escrita, permanecendo não alfabética até hoje.

Em nossa escrita, usamos alguns símbolos ideográficos. Por exemplo: a representação dos números: [0] lê-se zero, [1] lê-se um, [2] lê-se dois e assim por diante. Observe que com apenas um símbolo representamos uma palavra (ideia completa). Outro exemplo são as abreviaturas: [a. C.] lê-seantes de Cristo. / [V.S.a] lê-se Vossa Senhoria – [Adv.] lê-se [advogado].Quando a abreviatura é uma locução, o somatório de letras é que compõe o símbolo ideográfico.

3. Escrita Cuneiforme

 

A última tábua conhecida data do ano 75 da era cristã.

A última tábua conhecida data do ano 75 da era cristã.

A Escrita Cuneiforme (do latim cuneus = cunha) é o mais antigo sistema de escrita. Utilizada até a era cristã por vários povos que habitavam o antigo Oriente Médio. No início, a escrita era feita através de desenhos: uma imagem estilizada de um objeto significava o próprio objeto. O resultado era uma escrita complexa com pelo menos 2.000 sinais. Por isso, seu uso era bastante complicado.  Com o tempo, os sinais tornaram-se mais abstratos, evoluindo, finalmente, do sistema pictográfico para a escrita ideográfica (totalmente abstrata), composta de uma série de caracteres na forma de cunhas e com um número muito menor de sinais. Misturam-se caracteres e símbolos para letras e sílabas; para os números, círculos ou riscos. Essas figuras e objetos eram desenhados, por escribas, em tabletes de argila molhada, usando-se um estilete de caniço com a ponta na forma de cunha. Geralmente, eram dispostos de cima para baixo em colunas colocadas da direita para a esquerda. Em peças maiores, pela impossibilidade dos escribas de manobrá-las com a mão esquerda, a direção da escrita e a disposição das colunas são modificadas, as linhas passam a ser horizontais e as letras seguem a direção da esquerda para a direita. Com o objetivo de determinar a posse de algo, quase sempre um selo (desenho pessoal referente ao proprietário) era usado. Desse sistema de escrita, no entanto, não se derivou nenhum alfabeto.

O primeiro escrito conhecido – anterior a 4.000 a. C. (IV milênio) – é atribuído aos sumérios da Mesopotâmia. Milhares de tabletes de argila foram desenterrados contendo registros de transações comerciais e impostos de cidades da Mesopotâmia. A última tábua conhecida data do ano 75 da era cristã.

4.Escrita Egípcia

 

Deve ser lido no sentido para onde os símbolos que representam homens ou animais estiverem voltados

Deve ser lido no sentido para onde os símbolos que representam homens ou animais estiverem voltados

A Escrita Egípcia conhecida por hieróglifo (que significava gravação sagrada), também usava sinais pictográficos, porém adaptados para diferentes objetivos. A palavra “olho”, por exemplo, era o desenho de um olho; para “choro”, acrescia-se ao olho, linhas representando as lágrimas. Os hieróglifos eram escritos na vertical e horizontalmente; neste último caso, se os animais desenhados olhassem à esquerda a leitura deveria ser da direita para a esquerda e vice-versa. Tais símbolos podiam também ser usados para representar sílabas do mesmo som. Além disso, havia 24 sinais representando consoantes únicas, com as quais as palavras poderiam ser compostas, caso fosse necessário. Existiam duas formas de escrita no Antigo Egito: inicialmente a Hieroglífica, (do período faraônico) formada por desenhos e símbolos. E a Demótica (com alguns termos gregos)usada até o século V, em que se utilizava um tipo de caneta sobre o papiro, tornando-a mais ágil, mais rápida, necessária ao registro de contas e documentos administrativos.Apenas os sacerdotes, membros da realeza, altos cargos, e escribas conheciam a arte de ler e escrever esses sinais “sagrados”.

A escrita hieroglífica constitui provavelmente o mais antigo sistema organizado de escrita no mundo, e era vocacionada principalmente para inscrições formais nas paredes de templos e túmulos. Com o tempo evoluiu para formas mais simplificadas, como o hierático, uma variante mais cursiva que se podia pintar em papiros ou placas de barro, e ainda mais tarde, com a influência grega crescente no Oriente Próximo, a escrita evoluiu para o demótico, fase em que os hieróglifos iniciais ficaram bastante estilizados, havendo mesmo a inclusão de alguns sinais gregos na escrita.

Existem inscrições desde antes de 3000 a.C. até 24 de Agosto de 394, data aparente da última inscrição hieróglifica, numa parede no templo da ilha de File.

Constituíam uma escrita monumental e religiosa, pois eram usados nas paredes dos templos, túmulos, etc. Existem poucas evidências de outras utilizações.

Durante os mais de três milênios em que foram usados, os egípcios inventaram cerca de 6.900 sinais. Um texto escrito nas épocas dinásticas não continha mais do que 700 sinais, mas no final desta civilização já eram usados milhares de hieróglifos, o que complicava muito a leitura, sendo isso mais um dos fatores que tornavam impraticável o seu uso e levaram ao seu desaparecimento.

Com a invasão de vários povos estrangeiros ao longo da sua história, a língua e escrita locais foram se alterando, incorporando novos elementos. Fatores decisivos foram a introdução dos idiomas grego e latino, com a conquista pelos respectivos impérios. Também o cristianismo, ao negar a religião politeísta local, contribuiu bastante para que o conhecimento desta escrita se perdesse, no século V depois de Cristo. Tudo o que estava relacionado com os antigos deuses egípcios era considerado pagão, e portanto, proibido.

5.Escrita Silábica

 

Silabário, para crianças da pré-escola

Silabário, para crianças da pré-escola

A Escrita Silábica é um sistema onde cada símbolo é a combinação de sons de consonantais e vogais  representando uma sílaba (silabismo). Assim, há um símbolo para o [bê, cê, cá, dê, etc.].

Da mesma forma que os sistemas logográficos de escrita usam um único símbolo para uma palavra completa, um silabário é um conjunto de símbolos escritos que representam (ou se aproximam da representação de) sílabas, que, por sua vez, constituem palavra. Tipicamente, um símbolo de um silabário representa um somconsonantal seguido de um som vocálico, ou apenas uma vogal isolada. Num silabário verdadeiro, não há similaridade gráfica sistemática entre caracteres foneticamente relacionados (apesar de alguns apresentarem similaridades gráficas entre as vogais). Em outras palavras, os caracteres para “ke”, “ka”, e “ko” não têm semelhança que indique sua base comum “k”. Compare-se esse aspecto com um abugida,  em que cada grafema representa uma sílaba, mas os caracteres que representam sons relacionados são graficamente semelhantes (tipicamente, faz-se acompanhar uma base consonantal comum de complementos que indicam a vogal da sílaba).

Silabários são mais apropriados às linguagens com estrutura silábica relativamente simples, como o japonês. A língua portuguesa, por outro lado, permite estruturas silábicas complexas, com um inventário relativamente grande de vogais e encontros consonantais complexos, tornando inapropriado escrever palavras portuguesas com um silabário. Para escrever em Português usando um silabário, toda sílaba possível em Português haveria de ter um símbolo separado, e enquanto o número de possíveis sílabas em Japonês é não mais de uma centena, em Português há alguns milhares.

Outras linguagens as quais usam escrita silábica incluem grego micênico (Escrita linear B) e linguagens nativas americanas tais como a língua cherokee.  Muitas linguagens do Antigo Oriente usaram formas de escrita cuneiforme, a qual é um silabário com alguns elementos não silábicos.

6. Escrita Alfabética e Fonética

 

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Escrita Alfabética e Fonética é o nosso sistema de escrita. Consiste na representação dos sons de determinada língua pelas letras do seu alfabeto, mas nem sempre correspondendo exatamente ao som da língua. Assim, podemos dizer que nossa escrita não é exclusivamente fonética.

O fonetismo, e o sistema onde as palavras passaram a ser decompostas em unidades sonoras,  portanto, a escrita aproximou-se  de sua função natural que é a de interpretar a língua falada, a língua oral, a língua considerada como som. Dessa forma o sinal se libertaria do objeto e a linguagem readquiriria a sua verdadeira natureza que é oral. Decompondo o som das palavras, o homem percebeu que ela se reduzia a unidades justapostas, mais ou menos independente umas das outras e nitidamente diferenciáveis. Daí surgiram dois tipos de escrita: a silábica, fundamentada em grupos de sons e a, alfabética, onde cada sinal corresponde a uma letra.

A escrita alfabética foi difundida com a criação do alfabeto fenício, constituído por vinte e dois signos que permitiam escrever qualquer palavra. Adotado pelos gregos, esse alfabeto foi aperfeiçoado e ampliado passando a ser composto por vinte e quatro letras, divididas em vogais e consoantes. A partir do alfabeto grego surgiram outros, como o gótico, o etrusco e, finalmente o latino, que com a expansão do Império Romano e o domínio do mundo ocidental, se impôs em todas as suas colônias.

Fontes: recantodasletras.comcasadomanuscrito.com

 

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