O primeiro livro impresso no Brasil

o clássico da poesia lírica marília de dirceu foi um importante marco da escola árcade brasileira.

o clássico da poesia lírica “Marília de Dirceu” foi um importante marco da escola árcade brasileira.

O Brasil começou a editar livros em de 1808  com a fundação da Imprensa Régia por D. João VI. A primeira obra a ser impressa foi “Marília de Dirceu”, de Tomás Antônio Gonzaga.

O livro “MARILIA DE DIRCEU” foi publicado em Lisboa em 1792, ano em que Gonzaga partira para o exílio em Moçambique e relata seu amor por uma brasileira: Maria Dorotéa Joaquina de Seixas, de quem fora noivo. Os poemas (Liras) de “Marília de Dirceu” são o relicário de uma paixão que atravessa o tempo, e dois séculos depois de sua edição original, o conjunto de poemas de Tomaz Antônio Gonzaga permanece atual.

Maria Dorothea Joaquina de Seixa e  a musa inspiradora do poeta-inconfidente Thomas Antonio Gonzaga. Sua história ocorrida em Vila Rica, capital de Minas Gerais, durante o final do século dezoito, em plena Inconfidência Mineira. O cotidiano da cidade de Vila Rica, a vida religiosa, militar e escravocrata, foi o cenário do início deste romance. A repressiva vida das mulheres, as casas, mobiliários e utensílios, alimentação, hábitos e costumes, vestuário, lazer e ócio. Tudo foi retratado nos versos de Gonzaga. Um panorama geral sobre o cotidiano de Vila Rica durante o século XVIII. O Dr. Thomas Antonio Gonzaga chega então à Vila Rica, e acontece a sua paixão pela musa, onde Maria Dorotéia aparece como MARILIA, suas amizades e depois, o noivado. A prisão de Gonzaga. O exílio voluntário da musa à espera pela libertação do poeta que nunca ocorreu.

O poema é dividido em 3 partes. A primeira, com 33 liras, com refrões guardando certa semelhança entre si. A segunda parte, de 38 liras, possivelmente escrita na prisão, se refere menos à amada e, a terceira e última parte, com 9 liras e 13 sonetos.

As liras para a sua “pastora” (como era identificada Marilia), refletem a trajetória do poeta, onde a prisão atua como um divisor de águas(a segunda parte do livro é contada dentro da prisão). Antes de ser preso, canta a ventura da relação amorosa, que, valorizando o momento presente, busca a simplicidade do refúgio na natureza, que é européia e mineira. Depois de preso, em desalento, canta o infortúnio, a injustiça (ele se considera inocente, injustiçado), o destino e a eterna consolação no amor da figura de Marília. Cada lira é um dialogo de Dirceu com sua pastora Marília, mas, embora a obra tenha a estrutura de um diálogo, é um monólogo de Dirceu chamando por Marília.

Em 1792 (Ano de publicação do livro no Brasil), sua pena é comutada em degredo, a pedido pessoal de Maria I de Portugal e o poeta é enviado a costa oriental da África, a fim de cumprir, em Moçambique, a sentença de dez anos.

No mesmo ano é lançada em Lisboa a primeira parte de Marília de Dirceu, com 33 liras (nota-se que não houve participação, portanto, do poeta na edição desse conjunto de liras, e até hoje não se sabe quem teria feito, provavelmente irmãos de maçonaria). No país africano trabalha como advogado e hospeda-se em casa de abastado comerciante de escravos, vindo a se casar em 1793 com a filha dele, Juliana de Sousa Mascarenhas (“pessoa de muitos dotes e poucas letras”),com quem teve dois filhos: Ana Mascarenhas Gonzaga e Alexandre Mascarenhas Gonzaga, vivendo depois disso, durante quinze anos, rico e considerado, até morrer em 1810.

Maria Doroteia continuava em Minas Gerais. A esta altura, tinha 42 anos e já vivera muitas experiências na sua vida sem Tomás. Em algum momento, é provável que os fatos mais importantes chegassem ao seu conhecimento, como o casamento do ex-noivo ou sua morte. Durante sua vida longa, ocupou-se de assuntos da casa, obrigações religiosas, demandas da família, realização de testamentos e inventários, bordados, trabalhos domésticos e toda sorte de atividades atribuídas às mulheres. Sobreviveu a vários parentes e entes queridos, como seu pai, o tio e as tias que a criaram. Mesmo sendo a mais velha, foi a última dentre seus irmãos a falecer.

Com a morte do tio, Maria Doroteia se tornou herdeira e testamenteira. No inventário de 1820, ele aparece como o “Exmo. Marechal de Campo João Carlos Xavier da Silva Ferrão”.  O tio deixou para ela todos os bens. O principal foi a casa em que vivia, no Largo do Antônio Dias, em um terreno amplo. Ali ela passou praticamente toda a sua vida. Da antiga casa do ouvidor, onde Tomás morou quando chegou a Vila Rica, resta ainda uma perfeita visão, até hoje conhecida como a casa de Marília, alimentando a imaginação das pessoas. Outro prédio foi construído no local, abrigando atualmente a Escola Estadual Marília de Dirceu.

Em 1836, com 69 anos, ela providenciou e assinou seu testamento, que o tabelião aprovou em 16 de maio de 1840. Dele constam como seus testamenteiros e herdeiros Dona Francisca de Paula Manso de Seixas, que vivia com ela, e o Sr. Anacleto Teixeira de Queiroga, residente no Rio de Janeiro. Maria Doroteia era madrinha de batismo de Anacleto, mas alguns autores afirmam que ele era filho ilegítimo dela com um homem chamado Dr. Queiroga. Essa história gerou polêmica entre pesquisadores e descendentes da família de Maria Doroteia. Uns brigando para manter intacta a imagem de pureza e virgindade da mulher que se tornou a musa da Inconfidência Mineira; outros, pelo direito da mulher de reconstruir sua vida com outro homem.

O debate registrado em livros só teve início alguns anos depois da morte. O viajante inglês Richard Burton, em Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho, publicado pela primeira vez em Londres em 1869, relata que lhe foi contado que “um certo Dr. Queiroga, Ouvidor de Ouro Preto, teve a honra de suplantar o poeta Gonzaga, mas não com ternura legalizada. Em Ouro Preto ela é hoje, talvez, mais conhecida como a Mãe do Dr. Queiroga”, que seria Anacleto.

A informação foi contestada posteriormente por Thomaz Brandão, um primo em quarto grau de Maria Doroteia. Em 1932, ele publicou um livro também chamado Marília de Dirceu. A primeira preocupação do livro é assegurar que ela morreu donzela. O primo afirma que Anacleto era filho do Dr. Queiroga com Emerenciana, e que a irmã caçula de Maria Doroteia teria passado toda a gravidez na fazenda de sua irmã Anna Ricarda. Quando o filho nasceu, foi deixado na porta de um casal de amigos, que o criou como enjeitado, e Maria Doroteia o batizou. A madrinha teria amparado a criação de Anacleto desde a infância.

É certo que Maria Doroteia também poderia ter ocultado uma gravidez e deixado o filho na porta dos amigos, batizando o menino posteriormente. No mesmo período, ela também andava pelos lados da fazenda, distante dos olhares curiosos de Vila Rica, segundo o próprio primo vigilante da honra deixa escapar. Mas tudo são suposições de versões conflitantes que, embora precisem ser conhecidas, jamais poderão ser apuradas, pois repousam no baú dos segredos familiares.

Maria Doroteia morreu aos 85 anos, no dia 10 de fevereiro de 1853. Morava com Francisca na casa herdada do tio. Em seu testamento, deixou algumas missas encomendadas para sua alma e um último pedido: ser sepultada na Igreja de São Francisco de Assis. O pedido não foi atendido, pois foi sepultada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição.

A notícia da morte foi publicada no Marmota Fluminense – Jornal de Modas e Variedade, em nota assinada pela prima e poetisa Beatriz Francisca de Assis Brandão, que diz: “Maria Dorothéa era dotada de espírito vivo e elegância natural; tinha bons ditos, respostas prontas e adequadas; lembranças felizes, que faziam apreciável sua conversação, sempre adubada desse sal ático, que também a fazia muitas vezes temível, quando propendia para o sarcasmo, que praticava com a maior graça e firmeza”. Vemos ampliar-se à nossa frente a imagem de Maria Doroteia, diferenciando-a daquela frágil e singela musa do poeta inconfidente. A prima descreve uma mulher de força e atitudes próprias. Parece bem mais interessante vislumbrar a ideia de que Gonzaga teria se apaixonado por uma mulher inteligente, além de bela, firme, além de graciosa.

Com Maria Doroteia sucedeu o mesmo que ocorre com os mitos: a morte serve para fortalecê-los. É realmente difícil resistir ao brilho fulgurante do mito dentro da história. Sua proporção e seu volume crescem quanto mais questões indefinidas pairam sobre sua história, reverberando e propagando-os infinitamente.

A propagação do livro Marília de Dirceu ultrapassou o período do Romantismo. Em 1944, o presidente Getulio Vargas repatriou os restos mortais dos inconfidentes. Em 1955, os restos mortais de Maria Doroteia foram retirados da Matriz de Nossa Senhora da Conceição e levados para o Museu da Inconfidência, com o objetivo de ficarem com os de Gonzaga. Lá permanecem para apreciação pública. Finalmente juntos os personagens líricos Marília e Dirceu.

Fontes : ebc.com.br ; rankbrasil.com.br ; gramadosite.com.br ; revistadehistoria.com.br

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